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METRÓPOLE DESCONHECIDA
10 JAN a 28 JAN | fotografia | por Ronaldo Fonseca

"Esta colecção de fotografias apresenta pontos de vista alternativos do que normalmente vemos no quotidiano da cidade. São retratos solitários da pluralidade citadina; São uma amostragem genérica do que é típico da paisagem urbana, fragmentando-a em pequenos relatos que a compõem, sem deixarem de possuir uma personalidade própria. Sustenta-se na desintegração parcial da estática e da focagem - sobremaneira típicas da fotografia - e imprime uma revolução estética das fotografias, sobretudo pelo impacto da cor e das formas diluídas. As cores são aqui actrizes da dinâmica visual que emana, insidiosa, das acções das pessoas, da geometria das casas, do redilhar dos passeios e da mobília urbana; Pelas silhuetas e pelas formas ora fortes ora ténues constrói-se uma realidade subjectiva, visões dissolvidas numa matriz multicolor e aparentemente desorganizada, a qual encontra a meio-termo entre o real e o sonho uma forma particular de expressão. Através da técnica manual tilt and shift – que consiste no recurso à manipulação de lentes desadaptadas do corpo da máquina fotográfica e aplicando-lhes inclinação e afastamento, em relação à distância da lente ao sensor – consigo destacar o sujeito fotográfico de tudo o resto, dando paradoxalmente uma impressão e relevo únicos ao meio envolvente: tudo se encontra diluído; tudo se encontra detalhadamente singularizado. Obtêm-se pois resultados inesperados, técnica e esteticamente desafiantes. Convido à contemplação destas visões refractárias duma realidade monotonamente conhecida, que de tão acostumados a ela, deixámo-la de a reconhecer."

RONALDO MIGUEL DO NASCIMENTO FONSECA nasceu em Março de 1980 em Lisboa e reside em Braga desde os seis anos. Enfermeiro e terapeuta de medicinas complementares por profissão é fotógrafo e músico por paixão. Desde sempre afecto às artes, encontrou na dedicação minuciosa ou improvisada da vontade e da vocação, algo libertador, transcendente e vital. Revê na escrita de palavras ao calhas e de rabiscos sem sentido uma recompensa. No esgravatar de pincéis e na escuta de música encontrava as suas cores. Recentemente, veicula a necessidade criativa para a música e a fotografia, sendo estas as suas áreas artísticas de eleição por permitirem expressar com maior fluência e maior gozo a criatividade que tem a partilhar. Integra os peixe:avião, banda bracarense indie rock, na voz e sintetizadores, tendo anteriormente colaborado noutros projectos de cariz musical. Fotografa desde os 18 anos, tendo encontrado na fotografia um passatempo, depois uma adição, e finalmente uma forma de ser; tenta recriar e reinventar sobretudo técnicas manuais, recorrendo a artifícios por si construídos, de lentes destruídas e depois novamente montadas, de gestualidade ensaiada ou puramente improvisada de acordo com o que na altura pretende captar. Aliada a uma recusa vincada em evitar ao máximo a edição digital, e de procurar atingir os efeitos fotográficos pretendidos na altura da captação, tenta aproximar-se de um fotografar mais rudimentar, mais visceral e puro, mais desafiante e mais instantâneo, justificando o engenho e a técnica da prática artística, colocando em segundo plano o mérito do tratamento digital. Não deixa no entanto de utilizar uma máquina digital. Destaca a sua técnica favorita – tilt and shift – na colecção que apresenta, pelo facto de permitir uma forma de expressão mais única, mais personalizada e mais desafiante.

 

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