workshop intensivo de iniciação ao mirandês
início a 19 JUN, inscrições abertas | por Domingos Raposo | integrado no La Bielha Bai... A Miranda de L Douro

O mirandês é uma língua neo-latina, falada numa área aproximada de 500 Kms2, no extremo nordeste português (concelhos de Miranda do Douro e Vimioso), por uma população estimada em cerca de 12.000 pessoas. É uma língua que se manteve, ao longo dos séculos, por tradição oral, convivendo numa situação de diglossia com o português, sem uma norma escrita estabelecida e reconhecida. As primeiras tentativas de escrever em mirandês datam de finais do século XIX, especialmente pela mão do filólogo José Leite de Vasconcelos. Trata-se sobretudo de uma escrita fonética que foi seguida e adoptada, ao longo do século XX, por todos aqueles que escreveram em mirandês. Em 1995, um grupo de especialistas, constituído por falantes e linguistas/investigadores (Universidades de Lisboa e Coimbra) do mirandês, estabeleceu uma Proposta Ortográfica Mirandesa que, depois de discutida publicamente, deu origem, em 1999, à Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa. Nesse mesmo ano era publicada a Lei 7/99, Diário da República de 24-01-1999, I Série-A, que reconhecia, oficialmente, os direitos linguísticos da comunidade mirandesa (o direito a cultivar e a promover a Língua Mirandesa), aprovados pela Assembleia da República, por unanimidade, em 17-09-1998.

O mirandês dispõe, portanto, do reconhecimento oficial e de um utensílio que é a norma escrita. Impõe-se agora que essa norma seja divulgada quer aos falantes de mirandês quer àqueles que desejem estudar o idioma. Idioma que, com estas medidas de protecção, ganhou afirmação, prestígio e revitalização. Quebrou-se a inibição em muitos falantes, que a passaram a utilizar com mais frequência. Aumentou o número de alunos e níveis de ensino (ensina-se hoje desde o pré-escolar até o secundário – 12º ano nas escolas do concelho de Miranda do Douro). Aumentou o número de publicações e estudos, etc. Pretende-se, por isso, com este Workshop, divulgar a Língua Mirandesa e proporcionar, a todos aqueles que por ela se interessam, o contacto e conhecimento dos traços essenciais da mesma (história, essência, estrutura, funcionamento, vitalidade, sonoridade, encantos e segredos), através de sessões de carácter teórico e de sessões de carácter essencialmente prático.

OBJECTIVOS
.Conhecer a história e a situação actual da língua mirandesa;
.Conhecer os sons e as normas ortográficas da língua mirandesa;
.Iniciar-se na fala e na escrita em língua mirandesa;
.Conhecer alguns aspectos gerais da literatura mirandesa, desde o período da oralidade até à escrita;
.Tomar consciência da importância da diversidade linguística.

SESSÕES, DURAÇÃO E HORÁRIO
-2 sessões
sex, 19 JUN - 20h-22h
sáb, 20 JUN - 9h-12h30 e 14h-19h30

PROGRAMA
I. História da língua
1. Porque se fala mirandês na Terra de Miranda
2. História externa e interna do mirandês
2.1. Situação actual

II. Descrição da língua mirandesa
1. O alfabeto
1.1. Sons e grafia
1.2. Variantes dialectais
1.3. Características fonológicas
1.4. Afinidades e diferenças entre a língua mirandesa e a língua portuguesa
2. Questões ortográficas/Convenção Ortográficas
3. O léxico

III. Literatura mirandesa
1. Literatura oral vs. Literatura escrita
2. Panorama geral da história, do acervo e das recolhas

IV. Utilização da língua
1. Exercícios práticos de pronúncia: leitura de frases e pequenos textos.
2. Oficina de fala: Pedir e dar informações; fazer perguntas; responder a questões simples; estabelecer pequenos diálogos; saudar uma pessoa.
3. Oficina de escrita: Escrever, correctamente, palavras, frases e pequenos textos

Conteúdos culturais
1. Pauliteiros e danças mistas
2. Música mirandesa (tradicional e actual)

FORMADOR
DOMINGOS RAPOSO é licenciado em História pela Universidade do Porto e pós-graduado em História das Populações pela Universidade do Minho. Professor Titular da Escola EBS de Miranda do Douro. Colaborador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro entre 1999 e 2006. Professor de mirandês (língua que aprendeu no berço) desde o ano lectivo de 1986/87. Esteve na base da criação do ensino do mirandês e participou activamente no seu processo de oficialização. Co-autor-coordenador da Proposta Ortográfica Mirandesa (1995) e da Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa (1999). Difusor da língua e cultura mirandesas no programa semanal de Rádio (Mirandum FM 100.1) “Las alas de la lhéngua” (As asas da língua) desde 2001.

PREÇO
- 40€ para Amigos-da-Velha
- 50€ para os ainda não amigos


LOCAIS DE INSCRIÇÃO
1.Velha-a-Branca - Estaleiro Cultural
Largo da Senhora-a-Branca, 23 - 4710-433 BRAGA
todos os dias, das 16h às 19h e das 21h à 1h

2. Universidade do Minho
Campus de Gualtar - CP2 - Gabinete de Apoio ao Aluno (falar c/ Bernardo)

3. Transferência Bancária [só até 4 dias úteis antes do início do curso]
- efectuar a transferência bancária para o NIB 0036 0085 99100044875 26;
- enviar um e-mail para info@velha-a-branca.net com o comprovativo da(s) transferência(s) e os seguintes dados para cada uma das inscrições - curso pretendido, nome completo, n.º BI, n.º contribuinte, telemóvel, morada completa e turma (se aplicável)


MAIS INFORMAÇÕES:
. e-mail - info@velha-a-branca.net
. Messenger - adicionar contacto info@velha-a-branca.net
. telefones 253 618 234 / 916 249 180 skype velhafone

NOTA: só serão considerados inscritos os formandos cujo pagamento seja devidamente efectuado e confirmado pela Velha-a-Branca



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