Lip dub com banda sonora bracarense - Variações (Estou Além), Mão Morta (Budapeste) e Smix Smox Smux (Intifada), filmado durante a tarde do dia 24 de Abril de 2010. Uma visita musical à Velha-a-Branca e a algumas das actividades culturais que tem vindo a desenvolver desde 2004.
velhacine - o destino (le destin), youssef chahine (egipto),1997 Qua 8 SET, 21h45, ciclo de cinema árabe
No século XII, em Córdoba, o prestigiado filósofo Averroes criou uma escola de pensamento que vem reflectindo em todo o Ocidente até os dias de hoje. O califa Al Mansur, no entanto, influenciado pelos fundamentalistas, ordenou que todos os livros do filósofo fossem queimados. Para manter o trabalho de Averroes vivo, seus familiares e discípulos fizeram cópias dos livros e, apesar da perseguição, resolveram levá-los para além das fronteiras do Islão. Mesmo perseguido, o conhecimento humano fez uma jornada em direcção ao Outro, em direcção ao Progresso. O Destino, no entanto, não é apenas um relato da vida de Averroes; é também um filme de aventura, de amor, uma sátira à intolerância, seja ocidental ou oriental. Com surpreendente coragem, o realizador Youssef Chahine faz uma resposta aos grupos integralistas que conseguiram fazer com que seu último filme, L'Émigré, fosse proibido em seu país. Essa resposta, porém, surge em forma de comédia, tanto para satirizar o próprio acontecimento quanto para defender a liberdade.
SOBRE O CICLO DE CINEMA ÁRABE Algumas filmografias pouco conhecido entre nós, como as de países árabes, da América do Sul, da Turquia ou do Irão, ao contrário do habitual, têm merecido algum destaque em Portugal nos últimos anos, com diversos filmes passando na grande distribuição. Muitas propostas interessantes têm aparecido, focando temas político-sociais, ou os dramas individuais que decorrem daquela situações: a ocupação da Palestina, a discriminação dos imigrantes, a situação da mulher, a pressão religiosa conservadora, a memória dolorosa de episódios históricos, os dilemas da modernidade ou os problemas da liberdade de expressão em vários países islâmicos. O CICLO DE CINEMA ÁRABE que a Velha propõe inclui filmes que abrangem um leque diversificado de países árabes, da Palestina à Tunísia. Assim, procura-se lançar um pouco mais de luz sobre o "buraco negro", que é para nós o mundo árabe, mesmo se a ele lhe devemos o ter chegado até nós, por exemplo, boa parte da cultura greco-latina. Lembramos finalmente que as palavras "árabe" e "islâmico" não são sinónimas, embora a confusão seja comum: o maior país islâmico (a Indonésia) não é árabe (como não o são a Turquia, o Irão ou o Paquistão) e nos países árabes (do Médio Oriente ao Magrebe) existem outras religiões para além do Islão.